sábado, 6 de junho de 2009

AS PRIMEIRAS TENTATIVAS DE FIXAÇÃO NA ILHA.

Estátuas dos descobridores e do primeiro donatário da ilha


A primeira tentativa de povoamento na ilha regista-se em 1486, tendo como objectivo a colonização da ilha.Com a adopção do sistema de capitanias nas colónias, a capitania da ilha foi doada a João de Paiva em 24 de Setembro de 1485. Em 16 de Dezembro do mesmo ano, a ilha recebe o foral que concede inúmeros privilégios aos povoadores, como a possibilidade de negociarem livremente os escravos e outras mercadorias, excepto, ouro, pedraria, especiaria e gatos da algália na costa africana. A 11 de Janeiro de 1486 é doada a João de Paiva, em sesmaria, metade da ilha (por ele escolhida), doação que é renovada a 14 de Março por sua filha Mécia de Paiva .


Padrão de descobrimento em Ana Ambó

Para além de tudo indicar ter-se tratado de um projecto mal estruturado, dir-se-ia mesmo improvisado, uma grande contrariedade se levantou desde logo a João de Paiva e à sua gente: a localização da primeira povoação, na praia de Ana Ambó, foi a pior possível, já que era enorme no local o índice de infecções palúdicas e as condições hostis da topografia do terreno.
A 29 de Julho de 1492, o rei D. João II de Portugal fez doação da capitania de S. Tomé a favor do fidalgo da sua corte, D. Álvaro de Caminha Souto Maior, o qual deu com efeito início ao processo de colonização das ilhas de S. Tomé e Príncipe. Em 21 de Novembro e 19 de Dezembro a coroa concede-lhe a jurisdição civil e criminal, a alcadaria-mor da fortaleza que teria de construir e também aumentou os privilégios do foral, que se traduziram na possibilidade de comerciar em Fernão Pó e na costa da Mina (com excepção para o resgate do ouro) e na obrigação de o feitor da Mina lhes comprar a pimenta africana.



No famoso Manuscrito de Valentim Fernandes, escrito entre 1506 e 1510, pode ler-se: “ E foi, com o dito capitão, muita gente de seu grado, por seu soldo, entre os quais foram dois carpinteiros minha casa (real) e morreram lá…E assim mandou o dito Rei, pedra e cal e tijolo e telha para fazerem lá igrejas…” . Dentre os que acompanhavam Álvaro de Caminha, destacava-se não apenas o grande grupo de degredados, indivíduos condenados à morte a quem era dada uma hipótese de sobrevivência em S. Tomé (algo que na prática se convertia em absolutamente improvável, tal a razia que o paludismo então fazia, sobretudo em quem viesse do exterior), mas também “2000 meninos, de 8 anos para baixo, que o dito rei (D. João II) tomou aos judeus castelhanos e os mandou baptizar, dos quais morreram muitos, porém pelo presente serão vivos, entre machos e fêmeas, bem 600” .
Deve dizer-se que Álvaro de Caminha trazia uma verdadeira medida de política, que ilustrava o reconhecimento que Portugal tinha de que, face ao problema de baixo índice demográfico com que então se confrontava e à necessidade de explorar economicamente o território, se tornava imprescindível a miscigenação, pelo que aos novos colonizadores, para além de se garantir o direito de resgate de escravos e outras mercadorias, “se mandou dar a cada um uma escrava para a ter e se dela servir, havendo o principal respeito a se a dita ilha povoar”.

Localizaçao dos dois nucleos,o da esquerda Ana Ambó e o da direita o da cidade de Água Grande

Uma das primeiras medidas do donatário foi transferir a Povoação de Ana Ambó, no noroeste, para o nordeste local onde hoje se encontra, tendo em consideração a capacidade da baía (só muito posteriormente denominada de Ana de Chaves) e a construção de uma igreja matriz, muito embora tenham ficado por salvaguardar determinados aspectos ligados à sua insalu-bridade, porque “os terrenos que lhe ficavam ao pé eram baixos, húmidos e alagadiços e tinham águas encharcadas, lagoas e pântanos; todavia em nada disto se atendeu” . A intenção era a de lançar as estruturas de uma futura cidade, a partir da pequena Povoação (na língua nativa Povoaçom ou, por corruptela, Poçom, como foi desde então chamada), na época, o único centro de concentração urbana do território.

DESCOBERTA DA ILHA DE SÃO TOMÉ E A SUA LOCALIZAÇÃO GEOGRAFICA.

Localização Geográfica das ilhas

O arquipélago de S.Tomé e Príncipe é constituído pelas ilhas de S.Tomé, do Príncipe (cerca de 140 km a noroeste) e ainda por vários ilhéus como das Rolas (o único habitado), Cabras, Santana, Quixibá, Gabado e alguns afloramentos vulcânicos como as sete pedras e o boné de Joker. As ilhas ocupam uma área de 1001km2 tendo a ilha de S.Tomé 859 km2 e a do Príncipe 142 km2.
O arquipélago localiza-se na costa ocidental africana Baía de Biafra no golfo da Guiné, entre 1 grau e 44´de latitude Norte e 0 graus e 1´de latitude Sul, e 7 graus e 28´de longitude Este e 6 graus e 28´de longitude Este. Os países mais próximos são a Nigéria (a cerca de 300 km), a Este o Gabão (a cerca de 300 km e a Nordeste os Camarões e a Guiné Equatorial (a cerca de 250 km)
Encontrada provavelmente no ano de 1470 pelos navegadores da casa real portuguesa, data esta que difere na opinião de vários historiadores, visto não existirem documentos que se refiram a ela com precisão.

Geralmente apoia-se na tese de Lopes de Lima (enunciada em 1844) que, com base no método de atribuição do nome dos santos festejados no calendário das descobertas, nos indica os dias e meses deste descobrimento. Assim, a ilha de S.Tomé teria sido descoberta a 21 de Dezembro e a do Príncipe (antes Santo António /Santo Antão) a 17 de Janeiro do ano seguinte.
O descobrimento da ilha é atribuído a Pêro Escobar e João de Santarém, navegadores que estavam ao serviço de Fernão Gomes, um rico comerciante de Lisboa, arrendatário do comércio da Guiné por cinco anos, cuja missão objectivo era explorar anualmente cem léguas da costa a sul da Serra Leoa.
Cartografia das ilhas no final sec.XV

A ilha de S. Tomé foi, nos finais do século XV, erigida em capitania, tendo sido enviado para a povoar João de Paiva, a coberto da carta régia de 24 de Setembro de 1485 (a primeira que se expediu a respeito da colonização em S.Tomé), a qual facultava grandes vantagens e liberdades aos primeiros colonizadores, “podendo eles resgatar escravos e outras quaisquer mercadorias na costa banhada pelas águas do golfo de Benim” .
O arquipélago possui relevo acidentado, resultado da sua origem vulcânica (3 milhões de anos), sendo por isso constituídas principalmente por basalto com picos que alcançam 1.500 metros, sendo o ponto mais elevado, o Pico de S. Tomé, situado a 2.024 metros acima do nível do mar. A maior parte do País situa-se contudo abaixo dos 800 m. Existem abundantes cursos de água que, de forma radial, descem os picos em direcção ao litoral, formando várias cascatas.
O clima é tropical húmido, com duas estações: o período mais frio e seco (designado por gravana) acontece entre Junho e Setembro. A época das chuvas vai de Outubro a Maio. Nos meses de Janeiro e Fevereiro regista-se igualmente um período de abrandamento da temperatura e de menor precipitação, designado por gravanito. A pluviosidade média anual oscila entre os 2.000 e os 3.000 mm anuais, mas pode alcançar 7.000 mm nas florestas de neblina. A temperatura média anual é de 26ºC.